PR pede mais "consciência crítica" de elites políticas e económicas sobre efeitos da corrupção
O presidente da República defende que é necessário "elevar a consciência crítica junto das elites políticas e económicas" para inverter "uma nefasta perceção pública" dos efeitos da corrupção em Portugal.
São alertas de Marcelo Rebelo de Sousa numa nota divulgada na página da Presidência da República este sábado, em que se assinala o Dia Internacional Contra a Corrupção.
O chefe de Estado considera que importa fazer progressos em termos legislativos e operacionais no que toca aos fatores de risco já identificados pela Comissão Europeia.
Marcelo Rebelo de Sousa salienta que é preciso ir mais além, por exemplo, no que toca à luta contra os conflitos de interesses, contra os os financiamentos duplos ou contra falta de uma cultura anti-fraude.
São palavras que surgem num momento em que o presidente tem estado no centro das atenções, na sequência do caso das gémeas luso-brasileiras que receberam um dos tratamentos mais caros do mundo, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
"Neste dia Internacional Contra a Corrupção, o presidente da República sublinha a necessidade de se elevar a consciência crítica junto das elites políticas e económicas de forma a inverter uma nefasta perceção pública sobre os efeitos que o fenómeno da corrupção tem em certos setores de atividade em Portugal", apelou, sem detalhar a que setores se refere.
O chefe de Estado considera que, "como condição para um bom desempenho económico", importa também progredir "no combate legislativo e operacional aos fatores de risco mais abundantes identificados pela Comissão Europeia".
Entres estes, o presidente aponta "os conflitos de interesses, os financiamentos duplos, a cartelização, ou a ausência de capacidade técnica e de uma cultura organizacional antifraude e economia não-registada".
Marcelo Rebelo de Sousa deixa ainda uma palavra de reconhecimento a iniciativas que percorrem o país, com a participação de escolas, universidades, observatórios, centros de investigação e organizações não-governamentais, "mobilizando os jovens para a literacia e a ética sobre a corrupção e a transparência, num reforço do papel da sociedade civil para a melhoria dos alicerces da nossa democracia".
O Dia Internacional contra a Corrupção é celebrado, anualmente, em 9 de dezembro. O objetivo é sensibilizar para o combate e prevenção da corrupção, de modo a mobilizar recursos para a combater, de acordo com uma página governamental.
O tema escolhido para este ano é "UNCAC at 20: Uniting the World Against Corruption" (Unindo o Mundo contra a Corrupção) e assinala o vigésimo aniversário da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC).
Este dia foi implementado através de resolução adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas a 31 de outubro de 2003.
c/ Lusa